E só mais uma coisinha.

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E só mais uma coisinha: não somos amigos, porque se fossemos, você teria vindo aqui alguma das vezes que eu disse que precisava da sua companhia, ou de conversar. Não é isso que amigos fazem? Ou você diz amigo, pra não dizer contatinho? Nesse caso, um contatinho pra se distrair, conversar, não só para o sexo em si.

Porque eu acho que é isso que eu sou (eu o seu, não você o meu, até porque quando eu quero QUALQUER COISA, você nunca pode – tenho que esperar a vontade do seu coração de querer me ver).

E por mais bons que os momentos com você sejam (e são, de verdade), a relação vazia e superficial que esse lance ocasional traz, não é algo que eu busco no momento.

E não diga “a vida está corrida, estou sem tempo”, porque por mais foda que a situação esteja, quando a gente quer, faz o dia ter 25 horas.

Mas eu tenho algumas teorias sobre seu comportamento. Afinal, me vejo muito em você, mais até do que gostaria. Assim, quando você diz “quero te ver quando der saudade” “não to com tempo agora” “tá corrido” “vou ver” “a gente combina”, eu sei que não vai dar, não tão cedo, porque essas são as justificativas clássicas quando na real você quer: ou manter um seguro para as suas necessidades (ou seja, mesmo não estando afim no momento, não vai me descartar porque pode ser que você fique afim novamente); ou não dar um fora de cara, porque a gente conversou, e vc me conhece o mínimo pra saber que eu ficaria chateada.

E não sou paranóica, às vezes realmente essas justificativas se aplicam e não tem problematização. Mas quando isso ocorre várias vezes, vez seguida de vez, a gente entende.

E por entender é que eu peço: não me deixe na geladeira, como eu costumo fazer quando não tenho coragem de dizer “não” e magoar as pessoas. Seja sincero com você mesmo e diga “não curto como você me pressiona a dizer o que na verdade isso tudo é, um negócio pras minhas necessidades, que vai durar o quanto eu quiser e que se eu for pressionado, vou te dar gelo e justificar que disse isso porque -eu sou assim”.

Talvez você até seja assim, mas você é assim porque você não gosta de mim do jeito que seria o mínimo aceitável para manter qualquer coisa. E tudo bem, mesmo. Claro, super feliz eu não fico, mas também não posso dizer que esteja surpresa.

Lembra da nossa conversa na cama quando eu disse para você apenas não me magoar, porque eu ainda estava me recuperando? Talvez você não se lembre, estávamos bêbados demais. Mas meu bem, eu me lembro, e algo em mim diz que você quer cumprir a promessa, mas não pode. Não pode porque no mesmo diálogo você disse que queria sentir minha falta, queria querer me ver sem eu ter que pedir, e isso não acontece, né? Essa vontade não vem naturalmente. Relações líquidas, lembra? Das quais você faz parte e não está interessado em não fazer mais. É uma realidade que mesmo vazia, parece suficiente.

Não te culpo, posso dizer que até me culpo. Me enquadro nisso na maioria das relações da minha vida. E quem sou eu pra querer mudar algo em alguém, né? Fazer você sentir, querer, demonstrar, dizer. Mas eu queria muito estar errada nessa teoria toda, mas não estou, porque você já me disse “não é isso que eu procuro agora, você pede mais do que eu posso dar no momento”. O que é pedir demais? Querer te ver uma vez por semana? Se é isso, sim, eu peço demais, mas isso é o mínimo.

Se eu não posso ter um mínimo, vou ter o que? As migalhas que você estará disposto talvez a me dar? Então só me diz: ou que eu estou viajando em tudo isso ou que é isso mesmo, ou outra coisa, e que a gente não vai mais se ver. Porque eu me recuso a estar disponível para suas vontades, quando as minhas não fazem diferença para você.

Mas vc não diz, fala que não sabe. E eu também não sei, nunca saberia né? Porque mesmo que você saiba, você não me dirá, a verdade fará você não cumprir o único pedido real que eu fiz, o “não me magoe”. E você é muito bom moço para fazer isso, não é mesmo?

Mas está frio demais aqui para eu conseguir aguentar essa situação.
Chega, né?

 

amanda-telo

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