Você é só mais um na vida dos outros. E tá tudo bem.

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Sinto meu coração acelerado, será ansiedade? É meio de tarde e o dia está quente, acabo de ter uma conversa com meu chefe sobre o nossa papel na vida das pessoas e como isso pode impactar diretamente todas as decisões que nós tomamos.

Geralmente nos colocamos no papel de parte essencial do nosso pequeno universo. Afinal, tem sensação pior do que ser aquele amigo que não faz nenhuma falta? A gente precisa saber que fazemos falta e que sem nossa presença certas coisas serão abaladas.

Vejo que se colocar nessa posição é um dos motivos de continuarmos fazendo aquele algo. Continuarmos na relação que desgasta, no ciclo de amizade que não nos dá conforto, no emprego que já deu o que tinha que dar. E continuamos nos esforçando em sermos coisas que não queremos ser, para nos encaixarmos naquela vida que talvez não queiramos viver. Mas isso fode, fode mesmo. Isso trava a nossa tomada de decisão.

Ele é tão legal, serei muito cuzona terminando um relacionamento sem motivos. O emprego é tão bom, serei cuzona saindo num momento tão importante. A família é tão apoiadora, serei cuzona saindo de casa em vez de ajudar quem sempre me ajudou.

Mas sabe a realidade?

A vida continua correndo com ou sem a gente. Seus pais vão dar um jeito de pagar as contas, alguém vai poder ocupar seu cargo, o grupo de amigos vai ficar bem, seu namorado vai encontrar outra namorada. A gente é “só” mais um. E tá tudo bem. Sim, tá tudo bem ser mais um na vida das pessoas. Porque vc não é SÓ, você é mais um. Mais um na vida de todos os outros.

Sim, você é totalmente substituível, mas isso não diminui a sua importância enquanto você estiver ali. Ali de corpo e alma.

E quando sua alma não ver mais sentido naquilo, tá tudo bem sair e ir se tornar inesquecível em outro lugar, em outra vida. Não faz sentido permanecer em algo só por medo de prejudicar alguém ao sair. Veja que pensando assim, talvez você esteja prejudicando alguém ao ficar, principalmente você. É como naquela música do Terra Celta “o que te protegia, sufoca”.

A única vida que não continua sem a gente é a nossa.

To escrevendo isso e sentindo a dor da verdade, porque eu mesma sou assim. Tenho muito medo, medo de decepcionar, de abandonar, de rejeitar. Mas tá tudo bem, quer dizer, vai ficar tudo bem, mesmo sem você, sem eu, sem qualquer um.

Afinal, parafraseando uma música do Beirut, no final tudo que resta é tudo aquilo que você tentou esconder. Suas vontades, sonhos, você.

Abraços,

2 Responses
  • Carol R.
    Janeiro 15, 2018

    Sabe que muitas vezes eu amoooo a ideia de ser mais um
    bjs

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