O futuro é fluido

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Olá, meu nome é Amanda e eu gosto de tudo. Acho que isso se desenvolveu quando eu decidi blogar lá em 2010, naquela época como um hobbie mesmo. Aí eu tinha que fazer tudo, montava o site, escrevia, tirava foto, depois inventei de fazer vídeos, daí roteirizava, filmava, editava, publicava.

O tempo foi passando e na faculdade, que é um lugar que geralmente te dá um caminho exato pra seguir na vida, eu escolhi comunicação e multimeios. O que isso significava? Que o meu curso funcionava na mesma lógica do blogar, um pouco de cada coisa.

O que parecia ótimo, eu amava todas as matérias. E foi sensacional até eu entrar no mercado e parar de ser. Eu comecei a estagiar como social media, daí fui pra design, passei pra vídeos e me sentia estranha, afinal, que merda de habilidades soltas eu tinha desenvolvido?

Eu tinha entendido que amava estudar tudo aquilo, amava me dedicar de corpo e alma pra várias daquelas coisas, mas eu sempre soube que não queria fazer aquilo pra sempre. Mas como eu poderia evoluir, subir de cargo e afins pensando assim? Parece que não tinha espaço pra esse perfil no mercado de trabalho.

E assim eu segui, crise atrás de crise, pedido de demissão atrás de pedido de demissão. Quando eu começava uma atividade me dedicava de verdade, era empolgante e eu me sobressaia, mas daí quando eu finalmente sentia que os desafios acabavam ou algo novo aparecia, mudava.

E continuava mudando sem nunca me sentir em casa.

Em 2018 eu testei uma nova função, saí da criação e fui para análise e planejamento. Com isso finalmente algumas coisas começaram a se encaixar na minha cabeça. Lá eu conseguia usar o conhecimento de várias áreas para entender o porquê de certas coisas funcionarem ou não, e pela primeira vez eu vi na prática como toda a comunicação é integrada. Mas ainda assim faltava algo.

Lembra da blogueira que habita em mim? Ela ama aprender na prática e sentia que precisava continuar fazendo. Mas isso é arriscado no mercado de trabalho, porque acaba em acúmulo de funções e definitivamente não era isso que eu buscava.

Eu amava testar coisas, pensar, criar, traduzir, analisar e mudar. Eu queria fazer tudo, mas trabalhar com partes de tudo não era o que eu queria.

Tá confuso pra vocês? Agora imagina pra mim.

Então vamos a lista do que eu tinha entendido que não era pra mim:

Fazer a mesma coisa pra sempre;

Fazer só uma categoria de coisas.

 

E o que era pra mim?

Demorei pra entender, mas finalmente algumas peças se encaixaram. Respira e vamos lá.

Eu e você somos seres fluídos. Não é que eu não gostava de fazer determinada coisa, tanto que eu me empolgava e fazia. O que me incomodava era a sensação de que eu tinha me tornado só aquilo e a falta de compreensão da fluidez existente na vida.

Porque antes ou eu era a social media, ou eu era a videomaker, ou eu era a designer, ou eu era a analista ou eu não era nada. Se no meio da atividade eu decidia mudar para outra função que queria experimentar, o currículo mostrava que eu não tinha experiências naquilo.

O mercado ainda não absorveu o pensamento de que nenhum conhecimento é solto e todas as áreas se conectam.

 

O todo é fluido, assim como eu e você

Mas não aprendemos assim. Aprendemos a matemática em uma matéria separada da história, a física separada da sociologia, as artes separadas da química. Somos ensinados em departamentos, crescemos entendendo a vida como feita de instituições, educados a pensar tudo de forma linear. Como se cada uma dessas coisas tivesse nenhuma relação com a outra.

Mas a verdade é que somos seres fluídos e aquele formatinho de vida departamentada que vê partes como coisas desconectadas está se tornando obsoleto.

Poder se divorciar é uma conquista desse novo formato (amém feminismo), afinal, relacionamentos não precisam ser eternos. Tudo se transforma e a transformação não invalida o que foi vivido.  Por que na profissão deveria ser diferente?

Talvez você pense no argumento do “como eu vou ser boa se fico flutuando?”. Mas vamos voltar ali no começo do texto: quando você está na função, você se dedica, você se entrega, a crítica é sobre estar lá e esquecer que não existe uma divisão entre coisas, é sobre não olhar para o que você faz e entender que aquilo faz parte de um todo. A visão do todo é que te faz executar uma das partes de forma muito mais efetiva.

Eu aposto com você que todos os grandes nomes da história tinham uma visão do todo. A fluidez já existe, só precisamos democratizar essa visão.

É por isso que eu me incomodava. Eu ainda não entendia que todas as partes do que eu fazia se relacionavam e por isso era tão natural flutuar entre elas.

Leonardo da Vinci já sabia, o pensamento fluído faz você inovar

Quando a gente faz alguma atividade nova, todo o pensamento construído serve de base, fazendo você ver e expandir aquilo com uma visão muito particular.

O que define um profissional não é que ferramentas ele sabe administrar, é o pensamento. Isso diferencia homens de máquinas, homens de animais. E meus amigos, o pensamento é fluído.

To falando fluido, mas vamos ao significado:

  1. qualidade do que corre ou desliza facilmente;
  2. estado do que se processa ao ritmo normal, sem paragens forçadas;
  3. facilidade de expressão; espontaneidade;
  4. ECONOMIA: característica de um mercado em que existe um elevado grau de adaptabilidade entre a oferta e a procura.

Ser fluido é se adaptar, é ter espaço para inovações, é integrar

No consumo já vemos esse pensamento na prática. Estamos vivendo uma onda interessante de slow fashion, onde o consumidor agora se preocupa em como aquela peça foi feita e como aquela peça será descartada.

Sabemos que o produto que temos em mãos passou por muita coisa e depois de sair das nossas mãos também passará por inúmeras outras. Analise o veganismo ou o caso dos canudinhos. Você não separa produtor, produto e consumidor. Tudo é organismo, tudo é integrado. Outro termo para anotar é: empatia. Essa integração pede uma visão empática, mas isso vale assunto pra outro texto.

Nos relacionamentos também vemos isso. Quando Bauman fala de relações líquidas ele também se refere a essa fluidez.

Outro exemplo dessa forma de pensamento é o Alan Kay. Eu amo a história dele porque ele se formou em matemática, em biologia e até foi guitarrista profissional. Graças a tudo isso ele inovou conseguindo olhar para a informática e entender que o computador ideal deveria funcionar como um organismo vivo.

Isso significaria que cada “célula” iria se relacionando com outras, para alcançar um só objetivo, mas fazendo isso de forma autônoma. Além disso elas poderiam também se reagrupar para resolver outro problema ou desempenhar outras funções.

Sim! O corpo humano funciona assim, o computador funciona assim, a produção funciona assim e o nosso pensamento funciona assim. Alan Kay sacou que o melhor funcionamento é o pensamento integrado. Caminhamos para uma sociedade que vai sacar isso também.

Tudo se liga, se relaciona, se agrupa e não se limita. Tudo é fluído. Então quando eu, você ou qualquer pessoa olhamos o todo como se fossem partes separadas, nos limitamos e limitamos a evolução. Você só pode ser fluído quando você entende que tudo é integrado.

 

O futuro é fluído.

Indicação de leitura: Vai Lá e Faz, um livro que fala muito sobre perspectivas futuras na comunicação. Mindset, pra entender e aprender a pensar diferente.

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