Abrir os olhos e começar um novo dia. Uma rotina simples. mas que quando se é somente ossos, se torna algo curioso de observar.

Como abrir os olhos quando não se tem mais um globo ocular? Como se levantar quando os músculos responsáveis por seu movimento já não existem mais?

Mas contrariando tudo, ela se levanta, dia após dia, não por querer, mas porque seus ossos aprenderam a se movimentarem automaticamente.

Então todo dia ela sentia um despertar e quando via estava sentada na frente do computador. O que tem que ser feito será feito. Esse sempre foi seu lema. E seus ossos se lembravam. Se movimentando todos os dias mesmo quando isso contrariava todas as leis do universo.

Um dia ela precisou sair de casa e ir até o mercado, e o medo do que os outros iam pensar ao vê-la caminhando na rua quase a fez desistir de sair.

Mas a verdade era que um punhado de ossos caminhando pelas ruas antes assustava bem mais, mas agora em um mundo onde todo dia alguém se transformava, ela se sentia ainda parte de um grupo.

E então ela seguiu caminhando, e ao passar pelas pessoas que ainda esboçavam pele e músculos, ela se pegou pensando se voltar a ser assim ainda era possível.

Mas fazia tanto tempo desde que ela era o que era, que parecia impossível se transformar em qualquer outra coisa.

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